Kim Seon-ho vive nova fase da carreira com retorno à comédia romântica na Netflix

Após um período marcado por escândalo, silêncio e desconfiança pública, Kim Seon-ho retorna ao gênero que o consagrou com a produção da Netflix "O Amor Pode Ser Traduzido?" (“Can This Love Be Translated?”).
Kim Seon-ho ocupa hoje uma posição singular na indústria dos K-dramas. Sua trajetória reúne uma ascensão meteórica ao estrelato, uma queda abrupta amplamente repercutida pela mídia e, posteriormente, uma recuperação comercial expressiva — um percurso raro no entretenimento sul-coreano.
Após uma estreia tardia na televisão, o ator rapidamente ganhou destaque com uma sequência de produções de sucesso que consolidaram sua imagem como galã. Esse avanço, no entanto, foi interrompido por uma controvérsia pessoal envolvendo uma ex-namorada, amplamente divulgada à época. Em uma reviravolta incomum para a indústria sul-coreana — onde escândalos frequentemente resultam em afastamentos definitivos —, a carreira de Kim não apenas se estabilizou após as acusações serem desmentidas, como também retomou fôlego.
Desde então, o ator tem apostado em grandes produções de streaming como estratégia para consolidar sua retomada. Recentemente, estrelou o thriller de ação "The Tyrant", do Disney+, e integrou o elenco do sucesso internacional da Netflix "Se A Vida Te Der Tangerinas..." ("When Life Gives You Tangerines").
Os próximos projetos seguem a mesma linha de prestígio. Kim protagoniza a série "Portraits of Delusion", do Disney+, ao lado de Bae Suzy, reforçando a ideia de que sua trajetória atual representa mais do que uma simples recuperação, mas o início de uma nova fase profissional.
Seu trabalho mais recente é "O Amor Pode Ser Traduzido?", um dos principais lançamentos da Netflix previstos para o primeiro semestre de 2026. Na produção, ele contracena com Go Youn-jung, interpretando Ho-jin, um tradutor disciplinado e empático que desenvolve um relacionamento com Moo-hee (Go), uma celebridade internacional com quem trabalha. A série marca o retorno de Kim à comédia romântica — gênero que o consagrou — e sua primeira incursão nesse tipo de narrativa em cinco anos.

Apesar do peso simbólico de revisitar o gênero mais associado à sua ascensão, pela primeira vez desde o escândalo, o ator afirmou que a decisão não foi encarada como um fardo.
“Não encarei o projeto com um senso de pressão”, disse Kim durante uma entrevista realizada em Seul na quinta-feira. “Estava mais preocupado em como honrar o roteiro e construir a atuação. O gênero em si não foi algo em que me concentrei.”
Segundo ele, essa postura reflete sua abordagem em relação ao trabalho como ator. “Sou rigoroso comigo mesmo”, afirmou. “Prefiro focar no que precisa ser aprimorado, em vez de me preocupar com expectativas externas.”
Ao falar sobre a construção do romance, Kim destacou a importância da identificação do público, em vez do sentimentalismo excessivo. “Amor e romance são experiências que todos compreendem de alguma forma”, disse. “Criar empatia pode ser desafiador, mas o romance precisa ser algo com que todos possam se identificar. Dedico muito tempo pensando em como estabelecer essa conexão.”
"O Amor Pode Ser Traduzido?" parte de uma premissa simples e universal: cada pessoa se comunica em sua própria “linguagem”, e o amor se constrói a partir do esforço de compreender a forma como o outro se expressa. Kim afirmou que essa ideia foi determinante para aceitar o projeto.
“Embora seja essencialmente um romance, o conceito de que cada um possui sua própria ‘linguagem’ realmente me tocou”, explicou.
“As pessoas podem usar as mesmas palavras e, ainda assim, não se entenderem. Isso me fez refletir sobre a frequência com que isso acontece. Além da história de amor, é interessante observar como os mal-entendidos surgem, como a distância cresce e como essas lacunas são superadas”, acrescentou.
O ator também comentou que o papel teve impacto em sua vida pessoal. “Tenho tentado desacelerar e dedicar mais tempo”, disse. “Quando a comunicação não flui, quero ser mais paciente e me esforçar genuinamente para compreender. A linguagem não é apenas verbal; ela também se manifesta por meio de ações e expressões físicas. Acho que ainda estou aprendendo isso.”
Alguns espectadores apontaram que as falhas recorrentes de comunicação entre os protagonistas podem se estender além do esperado, afetando o ritmo da narrativa. Kim reconheceu o comentário e sugeriu que esse aspecto está diretamente ligado à proposta da série.
“Como a história gira em torno das diferentes linguagens pessoais, pode levar algum tempo para que o público se conecte completamente com ela. No meu caso, compreendi a perspectiva de Ho-jin e construí o personagem a partir disso.”










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