“A Grande Inundação”: desastre, ficção científica e emoção na nova aposta coreana da Netflix
- Suzana Silva
- 17 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A Netflix segue ampliando sua presença no cinema sul-coreano ao investir em produções pensadas diretamente para o streaming, sem passagem pelas salas de exibição. Em um momento em que os cinemas enfrentam queda contínua de público, a plataforma intensifica seus aportes no setor audiovisual do país.
Em 2025, o catálogo de filmes coreanos originais+++- Netflix transitou por gêneros diversos, indo de thrillers sobrenaturais, como “Revelations”, a romances adolescentes leves, caso de “Love Untangled”. Esse percurso culmina agora em “A Grande Inundação” (The Great Flood), uma superprodução apocalíptica marcada por megatsunamis, prédios desmoronando e imagens de destruição em larga escala que, em outro contexto, provavelmente atrairiam grandes públicos aos cinemas.
Durante coletiva de imprensa realizada no CGV Yongsan, em Seul, o diretor Kim Byung-woo definiu o longa como uma obra de gênero. Segundo ele, o filme combina cenas de desastre com elementos de ficção científica, explorando os atrativos de ambos. O cineasta afirmou ainda esperar que o público se lembre da produção como algo “maravilhoso e encantador”.
Conhecido por trabalhar com situações de tensão extrema, Kim Byung-woo estreou no cinema com “The Terror Live” (2013), que transformava uma transmissão televisiva em uma ameaça iminente. Em “Take Point” (2018), confinou mercenários em um bunker em meio à iminência de uma guerra mundial. Seu trabalho mais recente antes de “The Great Flood”, a fantasia épica “Omniscient Reader: The Prophecy”, lançada neste verão com orçamento de US$ 22 milhões, não correspondeu às expectativas, sendo criticada pela construção de mundo confusa e pelo excesso de melodrama.
Fora das telas, o diretor tem aparecido nas manchetes por motivos mais positivos: no mês passado, ele se casou com a cantora e atriz Hahm Eun-jung, integrante do grupo T-ara, passando a integrar a crescente lista de casais formados por diretores e atores na Coreia do Sul.
Sobre o filme: “A Grande Inundação”
A história de “A Grande Inundação” tem início com An-na, personagem de Kim Da-mi, uma pesquisadora de inteligência artificial e mãe solo que desperta em uma Seul completamente alagada. À medida que a água toma seu prédio andar por andar, ela é resgatada no terraço por Hee-jo, um agente de segurança interpretado por Park Hae-soo. Durante a fuga, An-na descobre que o impacto de um asteroide derreteu as calotas polares da Antártida, que a civilização caminha para o colapso e que ela própria pode deter a chave para a sobrevivência da humanidade — revelações que conduzem a narrativa a direções apenas sugeridas pelo trailer.
Sobre o elenco
Kim Da-mi, conhecida por papéis marcados por intensidade e contraste com sua aparência delicada — como em “A Bruxa” (2018) e no k-drama “Itaewon Class” (2020) — enfrenta aqui um desafio diferente ao explorar a maternidade de forma íntima e emocionalmente complexa. A atriz revelou que essa foi a parte mais difícil de aceitar no projeto, questionando se seria capaz de transmitir sentimentos que nunca vivenciou. Segundo ela, o jovem ator Kwon Eun-seong foi fundamental para ajudá-la a construir essa conexão emocional em cena.
Para Kim Da-mi, a maternidade apresentada no filme está ligada à ideia de amar alguém mais do que a si mesma — um sentimento que, segundo a atriz, guiou sua interpretação ao longo da produção.
Já Park Hae-soo consolidou-se como presença frequente nas produções da Netflix desde o sucesso de “Squid Game”. Apenas neste ano, ele participou das séries “Good News” e “The Price of Confession”. O ator relembrou que seu primeiro contato com o roteiro de “The Great Flood” foi desconcertante, descrevendo o texto como algo próximo a um código a ser decifrado, repleto de anotações e estruturas pouco convencionais. Ainda assim, a sensação de desconforto provocada pela leitura o manteve envolvido até o fim.
Kwon Eun-seong, de oito anos, que interpreta Ja-in, filho de An-na, também chamou a atenção durante a apresentação. Em reencontro com o diretor após “Omniscient Reader”, o jovem ator contou que se interessou pelo papel por um motivo simples: sua paixão por água e natação, habilidades exigidas na audição.
Embora o título sugira uma narrativa direta, o filme rompe expectativas ao se transformar, na segunda metade, em uma obra de ficção científica mais abstrata, com enigmas e estruturas que remetem a produções como “No Limite do Amanhã” ou a trabalhos mais ousados de Christopher Nolan. Kim Byung-woo reconhece que essa virada pode causar estranhamento, mas explica que a confusão é intencional e reflete o estado emocional da protagonista.
O diretor admite que parte do público pode considerar a experiência complexa ou até frustrante, mas acredita que a persistência diante da incerteza torna a segunda metade mais recompensadora. Para ele, o filme sintetiza uma reflexão pessoal que o acompanha há anos: o significado do amor e sua origem.
“A Grande Inundação” estreia na Netflix nesta sexta-feira (19/12).

Confira o trailer de "A Grande Inundação":
Fonte: The Herald korea












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