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Animação “A Praça” retrata romance proibido sob vigilância na Coreia do Norte

  • Foto do escritor: Suzana Silva
    Suzana Silva
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia


Animação “A Praça” retrata romance proibido sob vigilância na Coreia do Norte
Imagem: Studio dhL


Ambientado em Pyongyang, “A Praça” (The Square) foge completamente dos clichês que costumam marcar produções sobre a Coreia do Norte. Em vez de espionagem, violência explícita ou perseguições frenéticas, a animação dirigida por Kim Bo-sol aposta em uma narrativa intimista, sensível e silenciosa sobre amor, solidão e vigilância.


A história acompanha Isak Börg, um diplomata sueco, e Bok-ju, uma agente de segurança de trânsito norte-coreana. Civis comuns em um país onde relações pessoais são rigidamente controladas, os dois vivem um romance secreto enquanto enfrentam a certeza de uma separação definitiva. O filme observa como esse relacionamento se desenvolve sob constantes restrições, convidando o espectador a refletir sobre o isolamento emocional e o alto custo de sentimentos proibidos.


A inspiração para o longa surgiu a partir de uma reportagem publicada em 2016, na qual um diplomata sueco relatava a profunda solidão vivida durante seu período de trabalho na Coreia do Norte. A impossibilidade de interações simples com colegas locais levou o diretor a imaginar uma história que traduzisse esse vazio emocional em imagens. Assim nasceu a figura de Börg, um sueco loiro que percorre Pyongyang de bicicleta, transformando o ato de pedalar em um raro espaço de liberdade e intimidade.


Na animação, a bicicleta se torna símbolo de resistência silenciosa. Börg a utiliza para ir ao trabalho, cumprir rituais oficiais e, principalmente, para encontrar Bok-ju longe dos olhares atentos do regime. A comunicação entre os dois acontece em coreano, idioma que o diplomata domina, reforçando a proximidade entre eles em um ambiente que insiste em separá-los.


Visualmente, o filme constrói uma Pyongyang austera e opressiva, marcada por ruas vazias e uma paleta de cores acinzentada. Pequenos gestos cotidianos ganham peso dramático, como quando interações aparentemente banais entre estrangeiros e moradores locais resultam em punições severas, evidenciando o nível extremo de controle imposto pelo Estado.


A vigilância constante é personificada por Myeong-joon, assistente designado para acompanhar Börg, cuja verdadeira função é monitorar cada passo do diplomata. Embora inicialmente distante e rígido, o personagem é desenvolvido de forma complexa, revelando que sua postura não nasce da crueldade, mas de um estado permanente de ansiedade. Ao longo da narrativa, essa tensão interna se transforma e leva a uma mudança significativa em suas atitudes.


“A Praça” é o terceiro filme de Kim Bo-sol e já conquistou reconhecimento internacional. A animação foi premiada no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, no Festival de Cinema Fantástico de Bucheon e no Festival de Cinema Independente de Seul em 2025, consolidando o diretor como um nome promissor do cinema autoral asiático.


O longa estreia nos cinemas em 15 de janeiro na oreia do Sul e se destaca como uma obra delicada e profundamente humana, que encontra no silêncio, nos gestos mínimos e na ausência de liberdade uma poderosa forma de contar uma história de amor.


No Brasil a animação foi exibida na 49º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, em outubro de 2025, e não tem previsão de estrear nos cinemas brasileiros.


Confira o trailer de "A Praça":




Fonte: The Korea Times

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