"Aprendendo a Lição" lidera ranking global da Netflix, mas divide opiniões entre educadores na Coreia do Sul
- Suzana Silva
- há 23 horas
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"Aprendendo a Lição" ("Teach You a Lesson") está se consolidando como um dos grandes sucessos de junho. Além de liderar o ranking global da Netflix, a série também ocupa o primeiro lugar no Top 10 da plataforma no Brasil.
Embora a abordagem direta e sem rodeios do drama ao retratar as disfunções do sistema educacional sul-coreano tenha conquistado o público, a produção vem gerando reações diversas entre educadores.
A série é estrelada por Kim Mu-yeol, Jin Ki-joo, Ha Young, P.O e Lee Sung-min, é baseada na popular webtoon homônima do Naver, a série de 10 episódios acompanha as atividades do fictício Departamento de Proteção dos Direitos Educacionais, uma agência governamental responsável por intervir em escolas problemáticas. Ao longo da trama, o departamento investiga casos de bullying, expõe falsas acusações contra professores e alunos, além de lidar com pais abusivos e falhas sistêmicas dentro do sistema educacional.
Segundo o Tudum, site parceiro da Netflix, "Teach You a Lesson" ficou em primeiro lugar no ranking global dos 10 programas de TV não ingleses mais assistidos durante a semana de 1 a 7 de junho. Lançada em uma sexta-feira, a produção acumulou 6,4 milhões de visualizações em seus três primeiros dias. A audiência é calculada dividindo-se o total de horas assistidas pela duração da série.
Elogiada por seu ritmo ágil e pelo sentimento de catarse que proporciona ao público, a popularidade da série também se refletiu em seu país de origem. Na quarta-feira, ela aparecia como a produção mais assistida da Coreia do Sul.
No entanto, a recepção entre os professores tem sido mais complexa.
Uma professora do ensino fundamental de Seul, na faixa dos 20 anos e de sobrenome Choi, afirmou que, embora a série levante questões válidas sobre a gravidade das condições em algumas escolas públicas, existe a preocupação de que os espectadores interpretem a violência contra alunos como uma parte necessária da educação.
Outro educador, na faixa dos 30 anos e que atua na Escola Secundária Gwangnam, em Seul, disse que a produção retrata com precisão muitas realidades das salas de aula modernas, mas considera que o desfecho se distancia da realidade.
"Refletia a realidade das escolas, mas o final foi muito irrealista", declarou. "Gostaria que as escolas reais tivessem os mesmos mecanismos de proteção aos professores mostrados em 'Teach You a Lesson'."
O debate também se estendeu para a internet, incluindo o Blind, plataforma profissional anônima que exige a verificação do vínculo empregatício dos usuários antes da publicação de conteúdos.
Uma professora relatou que, após assistir ao drama, sua família comentou que os professores deveriam considerar a série satisfatória de assistir. Segundo ela, sua reação foi exatamente o oposto. "Na verdade, eu acho horrível", escreveu.
A maior organização de professores da Coreia do Sul argumenta que o sucesso da série está diretamente ligado às frustrações e ao sentimento de impotência enfrentado por muitos educadores atualmente.
Em comunicado divulgado na segunda-feira, a Federação Coreana de Associações de Professores (KFTA) afirmou que o drama expõe as difíceis realidades das salas de aula modernas.
"A série expõe a dura realidade das salas de aula atuais, incluindo a quebra da ordem, graves violações dos direitos dos professores por parte de alguns alunos incontroláveis e a sensação de desespero sentida pelos educadores que se veem impotentes após serem inundados por denúncias maliciosas", declarou a entidade.
A federação também ressaltou que o principal problema retratado pela série não é a falta de violência física, mas a ausência de proteção legal aos profissionais da educação.
"O que este drama deixa de perceber, em sua essência, é que o que os professores precisam não é de violência física, mas de proteção legal", afirmou a organização.
De acordo com a KFTA, somente no ano passado foram registrados 438 casos envolvendo violações dos direitos dos professores.
O presidente da entidade, Kang Ju-ho, citou alguns exemplos ocorridos em maio do ano passado. Entre eles, um professor denunciado por abuso infantil após abrir as janelas da sala de aula para melhorar a ventilação; outro que enfrentou acusações ao disciplinar um aluno que havia dado um tapa em um colega; e um terceiro caso envolvendo um professor que interveio quando um estudante estava dançando durante a aula.
Diante desse cenário, Kang renovou os pedidos por revisões rápidas da Lei de Bem-Estar Infantil e da Lei de Punição ao Abuso Infantil.
Fonte: The Korea Herald









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