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Funk brasileiro ganha espaço no K-pop com ATEEZ, ENHYPEN e NewJeans

Foto do escritor: Suzana Silva
Suzana Silva
há 4 horas
4 min de leitura

Funk brasileiro ganha espaço no K-pop com ATEEZ, ENHYPEN e NewJeans
Foto: divulgação/ATEEZ



De NewJeans a ATEEZ e ENHYPEN, o funk brasileiro vem encontrando uma sintonia cada vez maior com as ambições globais do K-pop, especialmente por sua força nas performances e nas redes sociais.


O gênero tem conquistado espaço na indústria sul-coreana, com alguns dos principais artistas do K-pop incorporando os ritmos vibrantes que nasceram na América do Sul.


Em junho, o ATEEZ colocou o funk brasileiro em evidência com “Bad”, faixa principal de seu 14º EP, Golden Hour: Part.5. Em agosto, foi a vez do ENHYPEN apostar no gênero em “Bloody Paradise”, faixa-título de seu oitavo EP, The Sin: Bliss. Os dois álbuns estrearam no topo da Billboard 200.


Mas o funk brasileiro, também associado no K-pop ao termo “funk de favela”, não é exatamente uma novidade na indústria.


Um dos exemplos mais conhecidos é “ETA”, do NewJeans, lançada em 2023. Produzida por 250, a faixa incorporou elementos do funk de favela e se tornou um sucesso mundial, chegando à 81ª posição da Billboard Hot 100.


O crítico musical Lim Hee-yun lembra que 250 já demonstrava interesse pelo funk de favela e pelo Jersey Club cerca de sete ou oito anos antes de começar a produzir para o NewJeans.


Segundo Lim, o produtor ficou fascinado pela intensidade do gênero e pela forma como suas batidas constroem um clímax poderoso, características que ele considerava compatíveis com a estética do K-pop.

“Ele me disse que a música era extremamente intensa e tinha uma maneira de construir até um clímax poderoso, o que ele achava que combinava bem com a estética do K-pop. Ele queria combinar esse som com o K-pop.”

Outros grandes nomes da indústria também exploraram o gênero na mesma época. O TOMORROW X TOGETHER se uniu à cantora brasileira Anitta e à dupla de produtores Tropkillaz para lançar “Back for More”, em setembro de 2023. No mesmo mês, o aespa lançou um

remix de “Better Things” com influências do funk brasileiro, também produzido pelo Tropkillaz.


O NMIXX já havia experimentado o estilo anteriormente. Em 2022, o grupo incorporou o baile funk, outro termo associado à cena do funk brasileiro, em seu single de estreia, “OO”.


Por que o funk brasileiro combina tanto com o K-pop?

Três fatores ajudam a explicar a crescente presença do gênero na indústria.


O primeiro é a compatibilidade musical.

A percussão marcante, os ritmos repetitivos e os momentos explosivos do funk brasileiro combinam naturalmente com o formato de performances intensas do K-pop, especialmente entre artistas conhecidos por coreografias poderosas e identidades visuais marcantes.

“Para grupos como ATEEZ e ENHYPEN, que buscam imagens impactantes, o gênero é uma combinação natural”, afirmou Lim.


O segundo fator é a afinidade com as redes sociais

“Bad”, do ATEEZ, mostrou isso de maneira particularmente clara. Um movimento de dança marcante executado por San, integrante do grupo, ganhou força por meio de desafios e memes nas redes sociais, ajudando a ampliar a atenção em torno da música.


As batidas repetitivas e o impacto imediato do funk brasileiro também facilitam sua adaptação para coreografias e vídeos curtos. Lim descreve o gênero como particularmente “estimulante”, uma característica cada vez mais valorizada no K-pop, em que poucos segundos de uma música ou coreografia podem viralizar rapidamente.


O terceiro ponto é a crescente expansão do K-pop nas Américas

O ENHYPEN realizou seu primeiro show na América Latina em São Paulo, em julho, antes de lançar “Bloody Paradise” no mês seguinte. Posteriormente, o grupo lançou uma versão em inglês da música com participação da cantora brasileira Luisa Sonza.


A faixa rendeu ao ENHYPEN seu melhor desempenho até então nas paradas globais da Billboard, enquanto The Sin: Bliss se tornou o primeiro álbum do grupo a alcançar o primeiro lugar na Billboard 200.


O ATEEZ também vem ampliando sua presença nas Américas, com extensas turnês pelos Estados Unidos e uma crescente base de fãs na América Latina.


Para o K-pop, os mercados latino-americano e norte-americano não estão completamente separados. A grande população latina dos Estados Unidos confere à música e à cultura latino-americanas uma influência considerável no país, que continua sendo um mercado fundamental para artistas de K-pop que buscam ampliar sua presença global, como demonstrado pelo BTS.


Dessa forma, conquistar um público mais fiel na América Latina pode oferecer aos artistas de K-pop mais um ponto de conexão com ouvintes nos Estados Unidos. O funk brasileiro surge justamente em um momento em que grupos como ATEEZ e ENHYPEN estão ampliando seu alcance nos dois mercados.


Isso, porém, não significa necessariamente que as empresas de K-pop estejam adotando o gênero exclusivamente para conquistar o público latino. A presença do funk brasileiro no K-pop é anterior à recente expansão da indústria na região.


Para Lim, os lançamentos quase simultâneos de ATEEZ e ENHYPEN provavelmente refletem a velocidade com que as tendências musicais circulam atualmente entre produtores de diferentes partes do mundo. “Os produtores de hoje estão cientes das tendências globais quase em tempo real, então acho que ATEEZ e ENHYPEN podem ter chegado ao funk brasileiro de forma independente. É o tipo de som intensamente estimulante que, uma vez que um produtor de K-pop o ouve, naturalmente o faz querer experimentar com ele.”


Fonte: The Korea Herald


Funk brasileiro ganha espaço no K-pop com ATEEZ, ENHYPEN e NewJeans
Foto: divulgação/Enhypen


Funk brasileiro ganha espaço no K-pop com ATEEZ, ENHYPEN e NewJeans
Foto: divulgação/NewJeans

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