A nova protagonista invisível: como a Inteligência Artificial está entrando nos K-dramas
- Suzana Silva
- 18 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

A inteligência artificial está chegando aos K-dramas como uma nova ferramenta narrativa — e cada vez mais natural dentro das histórias.
A velocidade com que a IA generativa se incorporou ao cotidiano impressiona. Hoje, ela é usada para tudo: resumir relatórios, montar planejamentos pessoais e até aconselhar sobre saúde e relacionamentos. E essa presença constante já começa a aparecer também nas telas dos dramas coreanos.
No segundo episódio da comédia romântica de 16 partes da Tving, “Nice to Not Meet You”, Lim Hyun-joon (Lee Jung-jae) — um ator de meia-idade em crise de identidade — consulta um chatbot de IA, dublado pela atriz e cantora Jeong Eun-ji, em busca de conselhos sobre sua carreira.
Hyun-joon ficou conhecido por interpretar apenas um tipo de personagem: um detetive. O papel o tornou famoso e financeiramente confortável, mas o deixou artisticamente limitado. Suas tentativas de reinventar a carreira só aumentam sua frustração, ansiedade e sensação de estagnação.
No terceiro episódio, a IA volta a aparecer quando Hyun-joon pede sugestões sobre roupa e penteado antes de um encontro às cegas com a jornalista Wi Jeong-shin (Lim Ji-yeon).
E ele não é o único. No romance de fantasia “Genie, Make a Wish” (2025), original da Netflix e estrelado por Kim Woo-bin e Suzy, há uma cena em que o próprio gênio da lâmpada (Kim Woo-bin) consulta a IA para entender os desejos humanos.
Para quem usa IA diariamente, essas cenas podem parecer apenas um reflexo natural da realidade. Mas para espectadores mais atentos, elas levantam questões importantes: o que os roteiristas querem sugerir? São apenas representações da vida moderna ou funcionam também como discretas inserções de produto?
Críticos acreditam que essa tendência acompanha a integração acelerada da tecnologia ao cotidiano.
“É difícil imaginar a vida sem IA atualmente”, afirma o crítico cultural Kim Kyo-seok. “Os dramas apenas espelham o mundo que conhecemos. E veremos isso cada vez mais.”
O crítico Jung Duk-hyun concorda:“Praticamente todo mundo usa IA generativa — desde dúvidas banais a questões pessoais. É natural que os dramas reflitam isso.”
Jung, porém, destaca que a inclusão pode ter outros interesses além dos narrativos: “Também pode funcionar como marketing”, observa, lembrando que a Perplexity Korea apoiou a produção de “Nice to Not Meet You”.
Além disso, a IA ajuda a aprofundar características dos personagens.“No caso de Hyun-joon, ela reforça sua solidão”, explica Jung. “Ele tem poucas pessoas com quem conversar, e o recurso ao chatbot enfatiza essa condição.”












Eu ainda tenho ressalvas quanto a IA.